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Outro anestesista é preso por abusar de mulheres sedadas e intubadas; homem se gravou praticando o crime

Médico abusou de pacientes sedadas e também é investigado por produzir e armazenar pornografia infantil.

O médico Andres Eduardo Oñate Carrilo foi preso na manhã desta segunda-feira (16). O colombiano é acusado de abusar de pacientes enquanto elas estavam sedadas em cirurgias. Em seu depoimento à polícia, o médico contou que ficava esperando a ‘melhor hora’ para cometer os abusos contra as pacientes. Ele admitiu o crime e também confirmou que vinha armazenando material pornográfico infantil.

Segundo a polícia, Andres Eduardo nega ter abusado de menores, mas acessa material proibido do conteúdo na internet. Ele também explicou que faz tudo sozinho e que ninguém participou dos abusos cometidos contra as pacientes do hospital.

O anestesista confessou que esperava estar sozinho com as mulheres e assim cometer o crime de abuso contra ela. Segundo ele, “aguardava a melhor hora”, disse em depoimento. O caso está sendo investigado e a polícia ainda descobriu que o médico colombiano compareceu a uma cirurgia, mesmo não tendo sido escalado para tal procedimento.

Andres Eduardo vivia legalmente no país tendo toda sua documentação em dia. Ele atuava em hospitais públicos e particulares. A prisão aconteceu na Barra da Tijuca, em sua casa, logo após a esposa abrir a porta para os policiais, que o acordaram dando voz de prisão. Até o momento a polícia não informou o que Andres disse em sua defesa.

Descoberta do crime

As investigações da Dcav, com apoio da inteligência da Polícia Civil, iniciaram em dezembro, a partir do compartilhamento de informações do Serviço de Repressão a Crimes de Ódio e Pornografia Infantil da Polícia Federal (PF). Na época, a PF identificou a possibilidade de vasta movimentação de arquivos pornográficos em posse de Andres e encaminhou o caso à Polícia Civil.

Através das suspeitas, foi autorizada a quebra de dados em compartimentos do celular do médico, onde foram encontrados, de fato, mais de 20 mil mídias de abusos infantis, sendo 3 deles arquivos feitos pelo próprio médico. A gravação chamou a atenção dos investigadores.

“Quando vimos, logo de início, tratamos como casos de estupro, partindo do princípio de que ele mesmo teria produzido. Mas precisávamos avançar na identificação das vítimas e materializar os crimes. Pelos metadados dos vídeos, certificamos a localização do suspeito no ato da gravação, identificando os hospitais e descobrindo os dias. Aí partimos para a tentativa de descobrir as mulheres ali sedadas. Com as listas de pacientes operados nos dias, fomos buscando características físicas e eliminado possibilidades até chegar às pacientes”, explicou o delegado titular da Dcav, Luiz Henrique Marques.

Andres gravou vídeos onde mostram as vítimas sendo abusadas, as mulheres que se reconheceram no conteúdo não tinham ciência de que haviam sido estupradas. O primeiro crime aconteceu no dia 15 de dezembro de 2020 no Hospital Estadual dos Lagos Nossa Senhora de Nazareth, em Saquarema, Região dos Lagos, durante a realização de uma cirurgia de laqueadura.

O segundo episódio foi em 5 de fevereiro de 2021 em uma das salas de cirurgia do Complexo Hospitalar Universitário Clementino Fraga Filho, o Hospital do Fundão, da UFRJ, durante um procedimento para retirada de útero. Uma das vítimas contou que foi ao Hospital Universitário Clementino Fragra Filho para retirar o útero, na UFRJ e acabou sendo abusada. A paciente encontrava-se intubada no momento dos abusos.

“Pra mim uma pessoa dessa é um monstro”, disse a vítima em entrevista ao G1.

A direção do Hospital Estadual dos Lagos informou que colaborou com a Polícia Civil na investigação que levou à prisão do médico anestesista. “Todas as informações solicitadas pela polícia foram levantadas e repassadas. O médico deixou de atuar na unidade em setembro de 2021”, disse. Já o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho afirmou que “o médico Andres, colombiano, não atua mais na unidade desde fevereiro de 2021”.