PUBLICIDADE

Morre o bebê de Georgina e Cristiano Ronaldo; conheça os riscos no parto de gêmeos

Morre o bebê de Georgina e Cristiano Ronaldo/ Reprodução: Jornal Todo Dia

O jogador de futebol Cristiano Ronaldo e sua esposa Georgina Rodríguez anunciaram nesta segunda-feira que os gêmeos que eles esperavam morreram. As circunstâncias da morte do menino permanecem incertas. O casal não divulgou detalhes da causa da morte ou se a morte ocorreu antes ou depois do parto.

Apesar da falta de informações sobre os casos, especialistas entrevistados pelo site do G comunicaram que gravidez de gêmeos é sempre uma situação de “alto risco” que exige atenção especial à saúde da mãe e do bebê, e que um bom pré-natal é imprescindível.

Quais as principais complicações de uma gravidez gemelar?

As principais complicações ocorrem durante a gravidez, como o parto prematuro, que é mais comum em gestações gemelares, explica Fabia Vilarino, especialista em reprodução humana e professora de medicina. Esse tipo de parto ocorre antes que o bebê tenha 37 semanas de gestação e, segundo alguns estudos, gêmeos são 7 vezes mais comuns do que gestações únicas.

“Por isso muitas dessas mães não conseguem trabalhar até os últimos dias da gravidez. Em algumas situações de gemelidade a mãe precisa ficar internada no hospital sob observação. É uma gestação que exige muitos cuidados”, afirma a médica.

Além disso, as complicações que afetam a mãe são mais comuns, como aumento da pressão arterial e risco de diabetes gestacional.

PUBLICIDADE

A médica explicou que os bebês também correm o risco de uma condição chamada restrição de crescimento intrauterino (RCIU), uma complicação grave que afeta de 3 a 10% das gestações únicas e presente em 9% dos gêmeos.

PUBLICIDADE

Paulo Martin Nowak, obstetra especializado em medicina fetal da Unifesp, acrescentou que os riscos associados à gravidez gemelar dependem do tipo de gravidez. O problema está relacionado ao número de placentas nesse tipo de gravidez, que os médicos chamam de coriônica.

PUBLICIDADE

Por exemplo, se cada gêmeo estiver em uma placenta separada, mesmo que sejam gêmeos idênticos, explicou Nowak, o risco é muito menor em comparação com gestações gemelares que ocorrem em um único órgão placentário.

PUBLICIDADE

Neste último caso, o principal problema é a síndrome de transfusão fetal (FTTS), que pode levar a complicações no gêmeo “doador” quando o sangue flui de um feto para o outro. Além disso, CIUR também pode ocorrer nesses casos.

PUBLICIDADE

“Por isso, entender [o tipo de gestação] é uma das coisas mais importantes da gravidez nesses casos”, afirma o médico.

Em geral a maioria desses problemas tem a ver com a placenta, ou os hormônios que a placenta produz, porque uma gravidez gemelar, independentemente do tipo, estimula a formação de uma massa placentária maior, que por sua vez produz mais hormônios.

“A diabete gestacional é causada pela reação inadequada do corpo materno a um hormônio produzido pela placenta. Com a maior quantidade desse hormônio, isso se torna mais frequente”, diz.

Riscos e cuidados necessários no parto

Um estudo de gestações gemelares no Reino Unido de 1994 a 2003 mostrou que no parto normal, o risco de morte do segundo gêmeo era quatro vezes maior que o do primeiro devido à falta de oxigênio no recém-nascido, fator que faz com que o bebê Complicações da incapacidade de fornecer oxigênio.

A ginecologista Fabia Vilarino explica que isso ocorre principalmente em gestações monocoriônicas (quando a mesma placenta é compartilhada) porque o corpo “entende” que a placenta precisa sair com o primeiro bebê porque o trabalho de parto está ocorrendo. O problema é que esse deslocamento da placenta reduz a oxigenação no segundo bebê.

No entanto, não há indicação na literatura médica quanto à via de parto para gestação gemelar, ou seja, se o procedimento deve ser parto normal ou cesariana.

“Se os bebês forem saudáveis, se a mãe estiver saudável, se o trabalho de parto estiver acontecendo adequadamente e os bebês estiverem de cabecinha para baixo [cefálicos], não há nenhuma indicação de cesariana. É um parto de baixo risco de complicação”, explica Vilarino.

Estabelecer protocolos tão rígidos é difícil para os médicos, pois qualquer decisão obstétrica desse tipo envolve não apenas a saúde da mãe e o risco para o bebê.

Nowak acrescenta que a experiência do obstetra é fundamental nessas situações, pois partos mais complexos, como quando um dos bebês está sentado, exige cuidados redobrados. Os especialistas destacaram que essas gestações costumam ser bem sucedidas com bom pré-natal e bom acompanhamento, e que esse tipo de gravidez exige acompanhamento diferenciado, consultas médicas mais frequentes e mais ultrassonografias de rotina, especialmente a partir do segundo trimestre.

“Nessas gestações as coisas podem acontecer de uma forma mais rápida e às vezes até de uma forma mais súbita, algo inesperado na gravidez regular. É uma gravidez que requer cuidados diferentes”, pontua.


CONTINUAR LENDO →

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui